Neuromancer: o livro que construiu o futuro

Desde que ouvi pela primeira vez a palavra ciberespaço, eu já sabia que era nele que eu queria trabalhar. Ciberespaço é um universo virtual criado no livro Neuromancer, de William Gibson, que depois virou sinônimo de internet. O livro de ficção-científica se enquadra no “gênero ficcional cyberpunk, e une informática e inquietações histórico-filosóficas com tramas cheias de ação e violência” que acontecem num futuro apocalíptico extremamente tecnológico. E é sobre ele que vou falar nesse post, pq nem só de roupas e makes é feito esse blog, e a leitura é uma das minhas grandes paixões.

Neuromancer é um livro genial, fruto da imaginação incrível de seu autor. Ele conta a história de um cowboy virtual (hoje seria um hacker) chamado Case que vivia pelas ruas de uma cidade devastada em um futuro obscuro cometendo pequenos crimes. Ele foi resgatado por Molly, uma samurai com implantes oculares e lâminas sob as unhas para uma missão na Matrix.

Sim! Este livro foi o que inspirou os filmes Matrix, e todos os seus desdobramentos. O livro é bem diferente do filme, mas a ideia é a mesma. A Matrix é como uma cidade virtual onde as coisas acontecem melhor do que na vida real. Aliás, durante toda a leitura, tive dificuldades de identificar quando os personagens estavam na Matrix ou não.

O livro foi lançado em 1984, tem um dialeto próprio inventado pelo autor e é preciso ter muita imaginação para acompanhar a confusa e mal escrita (ou mal traduzida) história. Apesar de considerado datado, ele traz uma impressionante projeção do futuro. Muita coisa realmente não aconteceu conforme o livro, nem poderia mais. Mas em tantas outras ele acertou na mosca, ou chegou muito perto.

Nele, fax, telefones com fio, disquetes, papel e muito neon se misturam com naves espaciais, viagens à órbita da terra como se fosse logo ali, pessoas com membros biônicos, carros que te levam ao endereço certo sem sequer um motorista e ainda conversam contigo e até uma espécie de Google, onde é possível fazer buscas de todas a notícias do momento num equipamento chamado Hosaka. Em alguns momentos visualizamos Case com seus dedos “voando sobre o console” como se jogasse um videogame, em outros, ele está tão dentro na Matrix, que podemos enxergá-los fisicamente ao lado do flatline Dixie, um construto do cérebro de um hacker já morto. A sensação é essa, de estar o tempo todo dentro de um videogame.

E vai dizer, essa coisa de mentes copiadas em ROM, robôs que criam vida e dominam os humanos, e todo o lado negro que os avanços da tecnologia podem ocasionar é muito Black Mirror!

No fim do livro, tem uma crítica incrível de uma jornalista da PUCRS, Adriana Amaral. Ela descreve Neuromancer como um “colapso do futuro no presente. Pós-humanidade. Obsolência do homem. Globalização. Espetáculo e consumo”. Acho que estamos realmente muito próximos dessa ideia de futuro. Um livro que mistura citações, intertextos, paródias e colagens da cultura pop e da história da ficção científica e nos leva pra dar uma volta no lado selvagem da guerra das gangues pelo domínio do ciberespaço.

Uma coisa que gostei muito é o protagonismo e a força das mulheres na história. Que descreve cada personagem feminino como extremamente inteligentes, inventoras, lutadoras. No fim das contas, são elas as que comandam a porra toda!

Através da personagem Molly, Gibson inverte o papel dos gêneros masculino e feminino. Enquanto Case toma um papel passivo durante o curso da história em suas incursões pelo cyberespaço, Molly é a epítome do “leão-de-chácara”: mesmo não sendo imponente e retendo qualidades femininas, ela é fisicamente forte, durona, sem remorsos, ganhando a vida como guarda-costas/mercenária. Praticamente um trabalho de homem, certo? Não no mundo de Gibson, e não no nosso.” The Laughing Man

Genial e tão atual, né?

Apesar de toda a confusão mental e o nó na cabeça que esse livro me proporcionou e de ter demorado muito para engrenar na leitura, tendo que voltar diversos capítulos muitas vezes, estremeci e arrepiei nas últimas linhas.

Como descreveu o autor Cory Doctorow, “Neuromancer não previu o futuro. Neuromancer criou o futuro”.  Só lendo para saber!

(música do U2 em homenagem ao livro)

 

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Dia dos namorados solteira? Enjoy it.

O Dia dos Namorados chegou e tu está solteira?

Calma, amiga! O 12 de junho realmente nunca é uma data muito legal mesmo pra quem está sozinho. Mas é possível encará-la com bom humor, reunindo os amigos e curtindo bons momentos.

Vamos combinar que há suas vantagens em ser solteira, eu mesma acho que me conheci melhor sozinha. Quem fica sozinho por um tempo tem a oportunidade de se descobrir como indivíduo, único com suas necessidades e desejos. Quando estamos sós fazemos nossas próprias escolhas, olhamos os filmes e lemos os livros que a gente gosta, encaramos a vida do nosso jeito e criamos nossas próprias referências. Isso faz com que reafirmemos nossa própria identidade. Ser a gente mesma, sem pressões e cobranças faz com que nos sintamos mais seguras pra assumir as rédeas de nossas vidas. Ser livre é poder ser quem a gente é de verdade. Então, aproveita o teu momento!

Há alguns anos eu passo essa data solteira, e garanto que é possível se divertir e ser feliz sozinha no 12 de junho. E o melhor nessas horas, para tornar o dia inesquecível é fazer algo novo e/ou memorável. Siga as dicas:


APRENDA ALGO NOVO

Aprender algo novo é sempre legal e estimulante. E ainda pode render umas boas risadas. Um esporte, artesanato, colagem, arte, pode ser qualquer coisa.

aprender algo novo


FAÇA UM SPA DAY EM CASA

Aproveite o seu momento para energizar e atrair coisas positivas. Sinta-se linda!

spa DAY


CONHEÇA UM LUGAR LEGAL NA TUA CIDADE QUE NUNCA TENHA IDO ANTES

Tem lugares que a gente sempre vai deixando pra ir outra hora. Pois hoje chegou o dia de conhecer aquele museu ou cafeteria que tu estava louca pra conhecer.

conhecer um lugar novo


ACAMPE
Junte uma turma de amigos e vá acampar em algum lugar legal com cachoeiras, um laguinho, pescaria, histórias.

acampar

LEIA AQUELE LIVRO HÁ TEMPOS ESTÁ NA FILA

Ler algo novo é sempre um momento mágico. É como se um mundo novo se abrisse diante dos nossos olhos. Pelo menos pra mim é assim.

ler no parque

 

PROMOVA A NOITE DOS DRINKS

Invente drinks, pegue receitas da internet e crie drinks lindos e coloridos com suas amigas. Já fiz isso e deu super certo.

noite de drinks

 

ENCONTRE AMIGAS QUERIDAS

Convide uma amiga querida (e solteira) pra um passeio no parque ou em algum lugar legal pra colocar o papo em dia.

passear com as amigas

 

FAÇA UMA TRIP DE FIM DE SEMANA

Um viagem de última hora sempre rende bons momentos e fotos incríveis. Vai arrumando a mala aí!

TRIP DE FIM DE SEMANA

 

FAÇA UMA BALADA FORTE

Nada como uma festa memorável para ser plenamente feliz com sua liberdade!

balada

 

USE SUA MELHOR ROUPA

Nada como aquela roupa que nos faz sentir liiiinda para dar um up no ego.

melhor roupa

 

TENTE UMA MAKE NOVA

Pegue um tutorial bem louco da internet e sinta-se maravilhosa!

make nova

 

COMA SEU PRATO FAVORITO

Coma tudo o que mais gosta e seja feliz. Hoje pode!

CUPCAKE

 

DIVIRTA-SE

Nada de ficar em casa se lamentando. Aproveite o dia.

HAVE FUN

 

FAÇA UMA MARATONA DE SERIADOS

Se não rolar balada, acampamento, nem noite de drinks, nada como botar os seriados em dia. Aconselho às meninas solteiras o Girls, super divertido e cheio de personalidade para te inspirar.

seriados

 

O bom é se feliz e mais nada. Aproveite cada momento! Girls just wanna have fun!

Beijos,
Lu

Uma pausa na moda para o Cantinho Cultural

Bom dia! Hoje é sexta, dia perfeito pra iniciar um novo livro, ainda mais com esse friozinho de outono já está se aquerenciando.

MBOV

Eu até queria fazer um super compilado sobre o SPFW que rolou na última semana, mas estou tão longe, que tudo o que chega até mim já é velho e sabido por todos. Eu nunca falei sobre livros aqui no blog, mas é uma das minhas grandes paixões nessa vida, e gostaria de incluir aqui algumas reflexões e ideias sobre as coisas que leio.

Eu não sou, nem nunca quis ser uma expert em moda. Gosto de trazer aqui as coisas que me inspiram e que gostaria de incluir no meu dia a dia. E, afinal, moda pra mim vai muito além da roupa que vou usar amanhã. Moda pode estar em qualquer lugar, e a minha moda sou eu quem faço! 🙂 Por isso mesmo, vou me aventurar a criar aqui o Cantinho Cultural, com algumas dicas sobre as coisas que leio e que também fazem parte dos meus dias e do meu mundo.

Eu acabei de ler há poucos dias o livro Madame Bovary e gostaria de compartilhar aqui um pouco do meu entusiasmo. É um livro denso, um pouco monótono até em algumas passagens, mas que me impressionou muito pela crítica a sociedade burguesa do século XIX e me surpreendeu positivamente ao ver como o autor Gustave Flaubert consegue entrar tão fantasticamente na mente feminina e oprimida, que anseia por liberdade, de Emma Bovary.

livro

A ideia não é fazer uma resenha sobre o livro, mas contar o porque ele é inspirador e mexeu comigo.

Em resumo, a história fala sobre os anseios de uma mulher sonhadora que achava que o casamento mudaria sua existência e a levaria ao auge da felicidade, em uma avassaladora paixão, como nos contos de fadas e romances que ela devorava desde os tempos do internato. Mas, ao se casar, ela mergulha numa vida mediocre e entendiante, e vê que seu marido não entende suas necessidades mais genuínas. Na ânsia por viver uma vida cheia de encantamentos, ela se sente cada vez mais presa e desesperada. Diante do desastre que virou sua existência, sobre a qual perdeu as rédeas, ela vê no adultério a chance de resgatar sua liberdade e despertar as emoções reprimidas, e acaba se afundando em dívidas em diversas tentativas de aliviar suas frustrações. Sem saída, acaba se envenenando pra fugir do julgamento do marido e da sociedade.

O livro foi visto como um escândalo, acusado pela afronta à moral e à religião, censurado e o autor processado diversas vezes. Em 1857, quando o livro foi publicado, a satisfação intelectual e carnal era restrita apenas aos homens, por isso, Madame Bovary é condenada por toda sociedade retrógrada em que o romance estava inserido.

Emma só queria uma vida que fizesse sentido, mas vivia mesmo trancada em casa sem desesperança por dias melhores. Ela não tinha a opção de voltar a trás, precisava conviver com o erro de seu casamento até o fim de sua vida. Nesse contexto que Flaubert deixa clara a errônea limitação imposta pela sociedade burguesa, com seus hábitos pouco louváveis e a ostentação de uma falsa moral. Desta forma, o livro acaba mostrando verdades que era escondidas por debaixo dos panos, e intensa opressão da mulher ao longo da história.

Tanto que Emma fica inconformada ao descobrir que deu a luz a uma menina, que teria que passar pelas mesmas angustias e privações que sentia:

MBOVARY

A obra inteira é baseada na subversão, mas acima de tudo, a própria Madame Bovary é subversiva. Se entraga a transbordamento de vida ao se deixar levar por seus desejos, fugir das banalidades do casamento, das imposições culturais e dos substratos religioso. O livro retrata a necessidade dessa liberdade, pois na sede de seguir seus sonhos a qualquer custo, Emma acabou transformando sua vida, e a do marido que tanto a venerava, em um grande desastre.

Hoje parece absurdo a censura ao livro, a prisão em que viviam as mulheres antigamente e o sofrimento da personagem, que é realmente agoniante. Mas na época tudo isso era muito imoral. O que me faz pensar no quanto as coisas mudam e no quanto que as mulheres já conquistaram. E principalmente que nada é estático, nem a moral…

No fim das contas, Madame Bovary acabou por tornar-se uma obra de grande influência para as mulheres na luta pela sua liberdade e conquista por direitos iguais. Meio que sem querer, o livro do ousado Gustave Flaubert deu abertura a emancipação feminina.

Recomendo muito a leitura!

PS1: Falando em feminismo, gostaria de indicar pra vcs a entrevista com a Camille Paglia para a Folha de São Paulo, principal teórica do pós-feminismo, que tem opiniões um tanto controversas ao feminismo atual. Me identifico muito com o pensamento dela, que desaprova a vitimização da mulher e a culpabilidade do homem, que servem apenas para enfraquecer o poder feminino.

PS2: Outros textos meus sobre feminismo:
>> O poder e a escolha
>> Porque a mulher tem um dia para comemorar?

Me considero uma feminista por acreditar no poder e nos direitos da mulher, acredito que toda a mulher é um pouco feminista. Mas tem muitos comportamentos feministas que desaprovo, por isso, ainda estou formando minha opinião sobre o assunto.

Beijos!

Lu