Neuromancer: o livro que construiu o futuro

Desde que ouvi pela primeira vez a palavra ciberespaço, eu já sabia que era nele que eu queria trabalhar. Ciberespaço é um universo virtual criado no livro Neuromancer, de William Gibson, que depois virou sinônimo de internet. O livro de ficção-científica se enquadra no “gênero ficcional cyberpunk, e une informática e inquietações histórico-filosóficas com tramas cheias de ação e violência” que acontecem num futuro apocalíptico extremamente tecnológico. E é sobre ele que vou falar nesse post, pq nem só de roupas e makes é feito esse blog, e a leitura é uma das minhas grandes paixões.

Neuromancer é um livro genial, fruto da imaginação incrível de seu autor. Ele conta a história de um cowboy virtual (hoje seria um hacker) chamado Case que vivia pelas ruas de uma cidade devastada em um futuro obscuro cometendo pequenos crimes. Ele foi resgatado por Molly, uma samurai com implantes oculares e lâminas sob as unhas para uma missão na Matrix.

Sim! Este livro foi o que inspirou os filmes Matrix, e todos os seus desdobramentos. O livro é bem diferente do filme, mas a ideia é a mesma. A Matrix é como uma cidade virtual onde as coisas acontecem melhor do que na vida real. Aliás, durante toda a leitura, tive dificuldades de identificar quando os personagens estavam na Matrix ou não.

O livro foi lançado em 1984, tem um dialeto próprio inventado pelo autor e é preciso ter muita imaginação para acompanhar a confusa e mal escrita (ou mal traduzida) história. Apesar de considerado datado, ele traz uma impressionante projeção do futuro. Muita coisa realmente não aconteceu conforme o livro, nem poderia mais. Mas em tantas outras ele acertou na mosca, ou chegou muito perto.

Nele, fax, telefones com fio, disquetes, papel e muito neon se misturam com naves espaciais, viagens à órbita da terra como se fosse logo ali, pessoas com membros biônicos, carros que te levam ao endereço certo sem sequer um motorista e ainda conversam contigo e até uma espécie de Google, onde é possível fazer buscas de todas a notícias do momento num equipamento chamado Hosaka. Em alguns momentos visualizamos Case com seus dedos “voando sobre o console” como se jogasse um videogame, em outros, ele está tão dentro na Matrix, que podemos enxergá-los fisicamente ao lado do flatline Dixie, um construto do cérebro de um hacker já morto. A sensação é essa, de estar o tempo todo dentro de um videogame.

E vai dizer, essa coisa de mentes copiadas em ROM, robôs que criam vida e dominam os humanos, e todo o lado negro que os avanços da tecnologia podem ocasionar é muito Black Mirror!

No fim do livro, tem uma crítica incrível de uma jornalista da PUCRS, Adriana Amaral. Ela descreve Neuromancer como um “colapso do futuro no presente. Pós-humanidade. Obsolência do homem. Globalização. Espetáculo e consumo”. Acho que estamos realmente muito próximos dessa ideia de futuro. Um livro que mistura citações, intertextos, paródias e colagens da cultura pop e da história da ficção científica e nos leva pra dar uma volta no lado selvagem da guerra das gangues pelo domínio do ciberespaço.

Uma coisa que gostei muito é o protagonismo e a força das mulheres na história. Que descreve cada personagem feminino como extremamente inteligentes, inventoras, lutadoras. No fim das contas, são elas as que comandam a porra toda!

Através da personagem Molly, Gibson inverte o papel dos gêneros masculino e feminino. Enquanto Case toma um papel passivo durante o curso da história em suas incursões pelo cyberespaço, Molly é a epítome do “leão-de-chácara”: mesmo não sendo imponente e retendo qualidades femininas, ela é fisicamente forte, durona, sem remorsos, ganhando a vida como guarda-costas/mercenária. Praticamente um trabalho de homem, certo? Não no mundo de Gibson, e não no nosso.” The Laughing Man

Genial e tão atual, né?

Apesar de toda a confusão mental e o nó na cabeça que esse livro me proporcionou e de ter demorado muito para engrenar na leitura, tendo que voltar diversos capítulos muitas vezes, estremeci e arrepiei nas últimas linhas.

Como descreveu o autor Cory Doctorow, “Neuromancer não previu o futuro. Neuromancer criou o futuro”.  Só lendo para saber!

(música do U2 em homenagem ao livro)

 

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Pessoas que inspiram a minha vida

Existem pessoas com quem, por algum motivo, a gente se identifica. Pessoas que irradiam luz própria, que falam coisas que a gente queria ter falado. Que, por pura convivência, nos fazem mais criativas e espontâneas junto com elas. Sua influência nos abre a cabeça para mil possibilidades, elas no fazem pensar por outros ângulos, têm sempre uma piadinha inteligente ou um algo novo e bafônico para nos apresentar. São pessoas inspiradoras…

Eu adoro estar rodeada dessas pessoas que eu admiro e que me tornam uma pessoa melhor e muito mais interessante. Pessoas que me incitam a descobrir partes de mim que eu mesma desconheço, que me provocam reações que nem eu mesma esperava. Acredito muito que podemos nos identificar com cada pessoa de uma forma diferente, criando sempre novas conexões entre assuntos, sensações, gostos pessoais e formas de pensar. Mas nem sempre é possível estar perto dos nossos amigos mais (ins)pirados, e como pra mim referência é tudo, busco esses gurus também aqui na internet.

Muito além de contatos, busco pessoas que tenham algum valor para agregar. Acho legal também ter como base pra vida, por exemplo, pessoas que trabalham em empresas tu admira – ou queria trabalhar. Se essas pessoas não forem muito acessíveis, acompanhar blogs, instagram e outras mídias sociais pode dar pistas para saber o que elas fizeram para atingir o sucesso. Espelhar-se em alguém não é algo ruim e pode ajudar com dificuldades e motivações.

Não é a toa que me intitulo Stalker, mas garanto que sou uma stalker do bem, não sou hacker, nem busco informações proibidas, mas sou ótima em dar um search no Google, encontro qualquer coisa que eu queira, e também sou ótima em descobrir pessoas com quem tenho afinidades e novas mídias sociais.  Dessas pessoas, muitas eu sigos e guardo referências de livros, músicas, looks, beleza, locais, tattoos, frases e tudo mais com que eu possa me identificar. Pra mim, somos formados de pedacinhos das pessoas que nos cercam e da mistura de inspiração alheia que, juntas, nos tornam únicos.

Entre as pessoas que mais admiram na web, criei uma listinha com as top 5 it girls mais inspiradoras pra mim:

CAROL TEIXEIRA

Ela é formada em filosofia, é DJ, é ousada, publicou o primeiro livro aos 23 anos, escreve sobre sexo pra Revista Vip e apresenta suas ideias sempre por um viés filosófico. Foi ela que “me apresentou” parte dos melhores livros que já li e abriu minha cabeça para muitos assuntos polêmicos. Além disso, ela tem um blog chamado A Obscena Senhorita C (o nome é referência ao livro A Obscena Senhora D, da escritora e poeta brasileira Hilda Hilst), onde fala sobre sexo diretamente com as mulheres, de forma livre e sem papas na língua – falo mais sobre ele aqui. Fora que ela é super estilosa, usa cabelo rosa e consegue atingir aquele patamar de pessoa bonita AND sensual AND inteligente AND cool que todo mundo sonha um dia alcançar. Sabe aquela pessoa livre, bem resolvida, a frente do seu tempo? É ela.

MARIMOON

A Marimoon dispensa apresentações, aquela pessoa fofíssima de cabelo colorido que arrasa por onde passa. Comecei curtindo sua coragem para ousar, seus  cabelos coloridos e os espartilhos e coturnos incríveis que ela usava, e depois passei a acompanhar mais de perto seus trabalhos, textos e vídeos. Ela desperta esse meu lado mais lúdico e quase infantil, e refina minhas referências sobre quadrinhos, mangás, música pop e desenhos animados que amo desde que me conheço por gente. Além do mais, ela é uma pessoa super do bem, que tem um alto astral incrível, está sempre ensinando coisas legais em seus canais, desde como editar as fotos, até artes, música, comportamento e assuntos geek.  Ela é super inteligente e tem um estilo girlie/ rocker que eu admiro muito!

CAROL BURGO

É uma blogueira que conheci por acaso e que me encanta com seus textos de autoconhecimento. Sabe aqueles textos que a gente pensa: “nooossa, eu queria ter escrito isso!”? Ela tem um bom gosto incrível, é super artística, desapegada, e ao mesmo tempo cria looks super legais. Com ela aprendi muito sobre moda, combinações inusitadas, proporções e cores e, diante de seus conflitos, também um pouco sobre mulheres e sobre mim mesma. Ela é daquelas bem gente como a gente e também tem uma loja virtual com estampas que ela mesma cria, e com um conceito bem criativo, a Prosa.

JOANNA MOURA

Comecei a acompanhar o blog Um ano sem Zara desde a metade do desafio de 1 ano sem comprar roupas que a Jojô se impôs. Nesse ano, ela conseguiu multiplicar seu armário de todas as maneiras possíveis, usando suas peças das formas mais inusitadas, criando misturas improváveis, novas formas de usar uma peça (tipo, vestido com saia) e recriando looks. Aprendi muuito com suas misturanças, e foi com ela que aprendi a misturar estampas, e ampliar as possibilidades do meu guarda-roupa e por causa dela fiquei longos períodos sem fazer compras, e consegui guardar dinheiro para viagens e para me estabilizar financeiramente, o que pra mim foi muito importante. Depois desse ano de aprendizado, ela já guardou uma grana, ascendeu profissionalmente, casou, foi morar em São Francisco e agora está brilhando em Londres. Hoje ela dá dicas que vão muito além das combinações de roupas. Grande inspiração!

YASMIN BRUNET

Pensei muito em quem eu ia eleger para ocupar este quinto lugar na minha listinha de pessoas inspiradoras. E a Yasmin Brunet foi a escolhida porque ando muito conectada com ela nessa vibe de reflexão sobre o quão louca e extraordinária é a nossa existência, esses questionamentos de quem somos e porque estamos aqui nesse planeta redondo, suspenso no espaço. Ela fala muito sobre os mistérios da vida, e o quanto devemos buscar essa conexão com o mundo e com a natureza, que deixamos de lado no nosso dia a dia. Me identifico com ela nesse sentido de ser muito curiosa, estar sempre pesquisando e querer aprender sempre mais sobre tudo. Além disso, admiro a relação dela com a comida, sempre priorizando a nutrição e os benefícios, o que vem da terra, coisas muito naturais. E também a forma simples e desprendida como se veste, acho que mostra bem sua personalidade simples e desapegada. Ela está sempre provocando reflexões e querendo salvar o mundo. Gosto disso, apesar de nem sempre concordar com tudo o que ela fala.

E isso resume um pouco dos meus interesses e de modelos que levo pra vida.

Beijos,

Lu

 

Mídias sociais: mentira para quem?

INSTAGRAM

Ok, as mídias sociais talvez não reflitam exatamente a vida real. Isso porque temos uma quase necessidade de compartilhar os melhores momentos de nossas vidas, enquanto outros não tão cool ou interessantes acabam ficando escondidos das câmeras de nossos celulares.

Talvez a gente dê um melhoradinha na pose, no contraste, no cabelo. Talvez a gente busque a melhor luz e o nosso melhor ângulo. Talvez a gente esconda a bagunça de cima da cama, ou a louça que ficou na pia. Arriscamos uma arrumadinha no cenário e até retocamos o batom que passou o dia apagado para postar no instagram. Quem nunca?

Mas nem sempre.

Um dia eu posso querer mostrar a bagunça de verdade, não forjada. Queira dar a cara a tapa, assumir que estou lendo aquele best seller barato, mostrar que hoje meu cabelo tá ruim mesmo, ou que ainda não tirei o pijama. E mostro mesmo! Porque é assim que eu sou. Irregular, desregrada. Gosto de dividir pequenos quadros do meu dia a dia com meus amigos e com quem mais queira ver. Sempre reais e nem sempre tão cool.

A realidade pode, sim, ser bonita. E sempre vai haver quem se identifique com ela.

Quando a modelo australiana Essena O’Neill deletou suas fotos e chorou diante de seus 700 mil seguidores assumindo que sua vida virtual era uma mentira e afirmando que as mídias sociais não são vida real, fui correndo olhar minhas fotos pela milésima vez, e isso me fez refletir. Peraí, não são vida real para quem?

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No auge do sucesso aos 19 anos, vislumbrando a fama e mendigando seguidores, a pobre (ou rica, no caso) menina se perdeu. Perdeu sua identidade para a câmera somando likes ad infinitum. Abrindo mão de sua vida por uma foto bem tirada. Fotografando um look que nem foi usado e que provavelmente, nunca usaria por sua própria escolha. Mas as redes socias podem ser vida real, sim! E digo mais, as minhas são. Garanto que as suas, caro leitor (a), também.

O meu blog já tem três anos, e confesso certa preguiça mental de atualizá-lo diariamente. Preguiça de largar a minha vida, o meu momento, para me comprometer com um hobby que criei porque me faz bem. Preguiça de deixar de ver uma amiga para atualizar o blog, ou de abrir mão de mais um capítulo da minha série favorita.

Quantas vezes já pensei em desistir por não me sentir apta a ser uma grande blogueira. Justamente porque eu não sei mentir. Não tenho coragem de inventar um vida que não é minha, e mais, eu quero mais é mostrar a minha vida, as minhas ideias, as coisas que eu gosto e admiro, que fazem meu olho brilhar. Porque se não for assim, vai perder totalmente a graça. E daí sim que a preguiça vai tomar conta de vez.

Se Essena se perdeu de si mesma, foi tentando levar coisas de interesse do seu público e quem entende um pouco de marketing sabe isso muito bem. Querendo buscar tendências que gerassem mais likes (e essa indústria de likes só faz crescer). Afinal, quem não fica triste quando sua foto ganha poucos likes, ou não pula de alegria ao ver o número subir? “Wow, nem acredito, minha foto bombou!”

Ela se tornou uma vitrine ambulante de marcas e poses e criou um estilo de vida virtual que nem tinha como corresponder à realidade de uma pessoa normal, que tem olheiras, bad hair, dias tristes e um monte de interesses considerados “boring” para as massas. Virou refém da indústria de beleza. Tanto que ela mesma admite ter aberto mão de sua paixão pela arte, já que isso não dá ibope. Distribuia sorrisos falsos para vender um mundo de fantasia. Ao mesmo tempo em que inspirava outra pessoas, entrava cada vez mais fundo num mar de mentiras que a tornava incompleta e infeliz. Tornou-se o sonho de qualquer menina de sua idade, e isso é uma responsabilidade torturante e irreal.

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Acho que faltou autoestima e um pouco de maturidade para a Essena. Conectando-se com meio milhão de seguidores no instagram, ela desconectou-se de si mesma. E criou um personagem que só tinha vida no instagram. Esvaziou sua própria vida de sentido. Ou vai ver que o meu ego que é grande demais ao pensar que os outros vão se interessar pelo que realmente sou. Mas, ainda assim, prefiro que as minhas redes sociais sejam recheadas da minha verdade, das minhas motivações, inspirações, bagunças e personalidade. Sendo minhas, têm que ter a minha cara! Sou eu lá.

Por isso, dou razão às criticas do americano Zack James, que acusou a australiana de ser a única culpada por sua falsa vida online. “Essena O’Neill está errada: mídias sociais não são uma mentira. Elas podem ser qualquer coisa que o usuário quiser. Deixar você mesma ser pressionada por uma falsa vida que a faz se sentir mal é o resultado de suas próprias ações e vontade”, ele disse.

Eu, como defensora master das mídias sociais, acredito que elas vêm para somar e nos aproximar das pessoas. Para que possamos mostrar um lado nosso pouco conhecido e compartilhar momentos. Só tenho a aplaudir Zack e concluir: elas podem ser anjos e demônios. Mascarar e promover. Elas mostram um pedaço do que sou, mas não o todo. Nem têm que mostrar. Não dá para ter um vida de instagram. Existem uma pessoa ali além das selfies, de seus tênis novos e seu batom Mac. Existe muito mais vida não exposta a ser explorada, é provável que exista um ser pensante por trás daqueles filtros todos. E quando não postamos nada, muitas vezes é porque estávamos vivendo tão intensamente, que a foto ficou para depois. Gosto de seguir pessoas de verdade.

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Pode ser que a minha vida e os meus interesses são sejam o interesses da maioria (e ainda bem que não são). Mas, são coisas que me preenchem e me enchem de vida. Enchem minha vida de significado e substância.

Focar no que me faz feliz sempre vai ser o melhor caminho. Se orgulhar de ser quem se é, eis a verdadeira beleza. A minha vida e minhas verdades valem muito mais do que 1 milhão de likes. E a tua?

Texto originalmente postando no meu blog da Obvious Vanilla Sky.

É o que temos pra hoje.

Beijos :*

Too much man repeller

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NOOO, This is so much man repeller

Eu adoro o estilo “man repeller”, adoro roupas oversized, calça cargo, boyfriend, cenoura, saurel e estilo Aladim, com punho na barra.  Adoro moletom, jaqueta jeans largona e tênis de lantejoula. Adoro usar o cabelo vermelho e laranja pegando fogo. Adoro unhas azuis, verdes, pretas. Batom roxo, azul, preto. Meias com sandálias, brilhos espelhados e beber até cair.

Acho mesmo super legal essa proposta da Leandra Medine (que está no Brasil), do blog Man Repeller, de vestir o que está afim sem se importar com o que os outros pensam. Eu meio que tento fazer isso diariamente, apesar de ser bem difícil quando se mora com os pais e se trabalha em escritório. Mas ainda assim eu tento. E daí estive pensando, pq não consigo gostar do estilo dela, se me identifico com suas ideias?

A conclusão que cheguei é justamente que é porque o estilo é DELA, e ainda bem que somos todas diferentes, cada uma com seu estilo, referências e escolhas. Eu não entendo muito bem quem se inspira nela para se vestir, mas entendo totalmente quem leva em consideração às ideias dela e seu desapego em agradar quem está na volta (o que, pelo visto, tem o efeito inverso, acaba assim mesmo agradando).

Já entrei diversas vezes no blog Man Repeller, já tentei me inspirar em algumas tendências. Mas gente, não dá! Me sinto um ET, sinto que estou indo contra as blogueiras que tanto me trazem inspirações, e me sinto totalmente contraditória, uma vez que me inspiro nelas, e elas se inspiram em Leandra Medine.

Se tudo é adaptação, vou apresentar aqui algumas modas man repeller que eu curto e algumas que não curto.

Talvez eu esteja mesmo ainda muito presa a conceitos e não consigo enxergar além, mas acho as roupas dela muito bregas. Parece que ela pegou tudo que tinha no guarda-roupa e botou por cima. E olha que costumo fazer isso, mas ela faz no nível máster! hehehe Tenso.

Tipo isso, que pra mim chega ao nível da bizarrice:

NO
NO.

Já esses até que eu curti e talvez usaria. Mix de estampas, botas longas com saia, sobreposições. Eu curto, de verdade!

OK
OK.

Acho que o problema é porque é tudo muito solto e misturado. Ou muito simplório. Ou muito esculhambado. Não sei. Ela chega a ser uma caricatura de si mesma, não parece natural. Parece forçado (na minha humilde opinião).

Porééém, e pra tudo há um porém nessa vida, acho essa proposta dela super genial:

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E é exatamente esse o princípio que uso na hora de me vestir. Penso assim: “hey, isso tá muito arrumadinho, muito Paty. Não tá a minha cara!” E meto um casaco mais pesado pro cima, ou um coturno, ou umas meias coloridas e saio feliz. E aí está a minha maior identificação com ela.

Apesar de eu não curtir seus looks, acho ela é super autêntica. Usa o que tem vontade, sem filtros da mãe, da vó, da vizinha ou da chefe. E esse é o meu grande sonho, de um dia poder ser sem filtros assim e sair pra rua como eu bem entender, sem ficar pensando que vão me achar uma louca, ou ter medo de passar pela minha mãe na próxima esquina e ela me mandar pra casa tirar as meias rasgadas. haaha

Ela conquistou seu espaço justamente por meter a cara a tapa, assumir sua personalidade e ser diferente. Ser o que é, gostem ou não. E por isso merece todo o seu sucesso.

Mas, não me odeiem por isso! Se alguém aí ama Leandra Medine, me ensine a amar também. Me mostre seus reais motivos. Porque eu entro no blog dela, e descubro que ele também é Lu reppeler… 😦

Alguém aí que me entende? Tem que ser muito, muuuito fashion.

Um dia eu chego lá! o/ ou não também…

Cup of courage

coragem1“Ouse, ouse… ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!”

— Lou Salomé

Para tudo na vida é preciso coragem, até mesmo para se vestir. Há dias em que estou inspirada, e vejo no meu armário incríveis possibilidades dos mais diversos looks. As combinações vão sendo processadas rapidamente na minha cabeça e os looks se formando lindamente diante dos meus olhos em uma relação mágica com o meu armário.

Nesses dias, quero sair com as peças mais legais, quero extravasar, montar combinações improváveis, misturar peças jamais pensadas. Fazer mix de dourado com prateado ou de cinza com marrom (o que pra mim é um grande desafio).

Mas há fases em que o desânimo bate e parece que nada anda bem, dias em que me sinto sem coragem para enfrentar o mundo. Em que prefiro não chamar atenção, ficar quietinha no meu canto sem ser percebida por ninguém. É nesses momentos que a minha inspiração se esvai, não tenho “saco” pra escolher looks, me sinto insegura para ousar, e o combo jeans, camiseta e sapatilha básicos voltam a protagonizar meus dias. Esses dias são, estranhamente, os mais desconfortáveis. Porque sinto que falta alguma coisa, me sinto incompleta, estranha. Como se a zona de conforto, em vez de colorida, fosse pintada em preto e branco.

Quando eu morava em Porto Alegre, que é uma cidade grande onde existe todo tipo de pessoas que se vestem de todas as formas já inventadas, sendo só mais uma no meio da multidão, me parecia mais fácil ousar. No interior é preciso ter coragem para, primeiro passar pelo julgamento familiar, depois dos amigos, dos colegas de trabalho e de todas as outras pessoas que transitam pelas ruas. O mundo aqui é mais conservador e resistente à novidade. As modas demoram a chegar, as pessoas demoram a se acostumar com o que lhes parece estranho.

E esse desencorajamento muitas vezes toma conta de mim. Me parece mais fácil voltar ao básico, não chamar atenção e não ter que passar pelos olhares reprovadores, que me intimidam e repreendem. É preciso estar disposta para receber elogios e críticas. Aceitar, muitas vezes, o pesado fardo de ser o centro das atenções. Elogios também podem ser inibidores. Quem nunca se pegou dando explicações diante de uma crítica, ou até mesmo de um elogio? “Essa roupa é antiga”, “Comprei super barata” ou “Testei essa nova combinação, mas estou ainda na dúvida se está ok”. Quem nunca?

Às vezes é mais fácil ser igual a todo mundo do que assumir a nossa própria individualidade e autenticidade. É cômodo. Ainda assim, tento não me deixar abalar pelas opiniões alheias. Prefiro continuar sendo eu mesma, e acho que a roupa que usamos diz muito do que temos por dentro. Com ela, comunicamos nosso estado de espírito, passamos mensagens sobre nós mesmos e causamos um impacto nas pessoas. E isso é bom!

Não, não precisa também virar uma árvore de Natal e misturar todas as peças de uma vez se isso não tem nada a ver com o teu estilo. Sair da zona de conforto nos mostra apenas que as possibilidades de combinações são infinitas, e temos escolhas diante delas. É possível fazer do básico algo mais interessante, imprimir um pouco de personalidade no nosso dia a dia. Grande exemplo disso é a Gisele Bündchen, e seu normcore, super básica e ainda assim cheia de vida e personalidade. Muitas vezes, um acessório, uma make arrasante ou um sapato incrível já bastam pra sair do lugar comum.

A roupa implica na autoestima e na autodescoberta. O ritual de vestir diário mexe com a criatividade e pode otimizar as possibilidades dentro do nosso armário ao mesmo tempo em que nos inspira para novas combinações e inspira também quem está ao redor. Isso tem a ver com atitude e com confiança, o que reflete diretamente em como encaramos a vida e cada novo dia.

Que tal começar hoje a fuçar no teu armário, redescobrir tuas roupas e tua própria personalidade? E de quebra se conhecer melhor.

O ato de se vestir tem que ser leve, divertido, mas acima de tudo libertador. Não existe certo e errado já que as escolhas são individuais e intransferíveis. E, a partir delas, é possível se sentir poderosa e muito mais segura para enfrentar o mundo. Um dia nunca é igual ao outro.

E é isso que eu tento mostrar aqui no blog, que as possibilidades estão aí, pairando sobre nossas cabeças. É preciso reconhecê-las, cogitá-las, se identificar com elas. E isso só é possível testando e se permitindo.

Não, eu não quero viver à margem. Toda nova manhã é preciso tomar nossa xícara de coragem para enfrentar o mundo. É preciso ter coragem para ser.