A saia de couro fake e o meu armário funcional

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Lá estava ela, a saia preta. Plena, linda, infalível, estampada na vitrine da loja Lolita do shopping Melancia Mall em Rivera- UY. Ela estava estampada, mas não era estampada. Era pretinha como a noite, básica, comprimento ideal, bolsos utilitários. A saia era de couro fake mas daqueles que parece couro de verdade, com ranhuras e espessura à altura e vestia com maestria a magérrima manequim que fazia pose e olhava pra mim. Era um chamado de sucesso.

Fui ao shopping no domingo à noite para jantar, olhei despretensiosamente para a saia. Mas no outro dia ela matutava na minha cabeça como um martelo: “É perfeita, a marca é boa, é muito a minha cara, vale a pena, vou usar muito nos meus looks diários, pode ser super útil pra algum evento noturno também. É coringa, vai com tudo!” Mas as vezes a gente se engana. Já me deixei levar por esses meus papos anteriormente e eles são bem convincentes. E por conta disso estou lá cheia de peças novas que eu precisava muuuito, e que ainda nem tive a oportunidade de usar.

A SAIA:

 

De 2016 pra cá decidi fazer compras mais conscientes. Apesar de seguir preferindo os outlets e liquidações pra dar uma economizada na hora da compra, deixei de consumir roupas baratex em fast fashions só para ter mais um blusinha da moda. Ao menos estou tentando deixar, tanto que cheguei a ficar de 3 a 4 meses sem comprar nos últimos 2 anos mais de uma vez e por conta disso tenho menos parcelas no cartão e estou conseguindo juntar mais grana para viajar.

O fato é que há alguns meses minha vida deu uma reviravolta, comecei a namorar e minha rotina mudou consideravelmente. Troquei as noites em bares por noites assistindo filmes. Substituí a balada de sábado por fins de semana na estância (ou fazenda, como preferirem). Troquei até mesmo as aulas de spinning na academia pelo yoga (ok, isso não foi por causa do namoro). Os encontros com as amigas se tornaram eventuais e as festas estão escassas. Essas coisas de gente que namora. E, acreditem, isso teve um impacto direto no meu guarda-roupa.

De lá pra cá o tênis branco que comprei há pouco está sempre sujo, as botinhas de salto não tem mais serventia, as saias mini e mais ajustadas foram para o fundo do armário. Foi um processo natural. Minha vida mudou, estou muito feliz, mas tendo um trabalho imenso para readequar meu guarda-roupa. As vezes fico confusa e me deixo levar pela emoção na hora da compra, e acabo adquirindo peças que já não são ideias para o meu dia a dia.

Eu nunca gostei de ter roupas específicas para festas e outras para o dia. Tento colocar o máximo de peças em uso diariamente, e quem já leu parte desse blog sabe que eu faço a maior mistureba nos meus looks para criar novas possibilidades e oportunizar que todas as peças do meu guarda-roupa possam ir para a rua (olhem a pasta Eu por mim mesma do meu Pinterest). Mas trabalhar em um escritório com pessoas que usam todos os dias seu jeans e camisetas básicos as vezes é complicado para quem quer ousar e muitas peças ficam lá esperando seu momento de ver a luz fora do armário. Mesmo assim eu tento não perder a minha personalidade e me vestir do jeito que eu gosto, mesmo tendo que me manter dentro de certos limites do dress code.

Organizando minhas coisas de uma forma que consiga ter acesso fácil à todas as peças, e tirando aquelas que não tem mais a ver com o meu estilo de vida (não todas porque algumas acredito que ainda terei oportunidades de usar), comecei a me dar conta que não adianta ter uma armário com roupas modernas e maravilhosas, e uma saia de couro preta perfeita, se ele não for funcional para a MINHA rotina. Afinal, que tipo de roupas eu preciso hoje? E quais roupas que eu tenho agora no guarda-roupa realmente cabem na minha rotina?

Assim, chego a conclusão que eu querer comprar um sapato lindo com salto agulha vai ser um dinheiro posto fora, já que não terei muitas oportunidades de usar (ou talvez praticamente nenhuma). Por sorte, o salto já não estava mais protagonizando o meu cotidiano já havia um tempo e os Louloux, de sapatos colecionáveis, viraram peças de arte para serem admiradas à distância agora pra mim. E assim, a saia maravilhosa que seria a princesa do dia, se torna a bruxa má que vai fazer eu gastar meu dinheirinho em algo que provavelmente usarei muito pouco e será mais uma peça para ficar encostada no meu armário esperando sua vez.

Por isso, preferi fazer uma lista de coisas que realmente serão úteis e indispensáveis para mim nessa fase da vida (como um tricô de cachemire e uma botinha escura, sem salto), para que eu possa aproveitar ao máximo sem a culpa de ter comprado uma roupa que não vou conseguir usar. Além disso, a organização serviu para resgatar roupas que estavam esquecidas e adaptá-las aos meus novos looks, dando novas caras e possibilidades para elas.

Muitas saias pretas maravilhosas ainda cruzarão o meu caminho, e espero estar preparada para encará-las de frente e dizer: obrigada, mas no momento eu não preciso de ti.

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