Uma pausa na moda para o Cantinho Cultural

Bom dia! Hoje é sexta, dia perfeito pra iniciar um novo livro, ainda mais com esse friozinho de outono já está se aquerenciando.

MBOV

Eu até queria fazer um super compilado sobre o SPFW que rolou na última semana, mas estou tão longe, que tudo o que chega até mim já é velho e sabido por todos. Eu nunca falei sobre livros aqui no blog, mas é uma das minhas grandes paixões nessa vida, e gostaria de incluir aqui algumas reflexões e ideias sobre as coisas que leio.

Eu não sou, nem nunca quis ser uma expert em moda. Gosto de trazer aqui as coisas que me inspiram e que gostaria de incluir no meu dia a dia. E, afinal, moda pra mim vai muito além da roupa que vou usar amanhã. Moda pode estar em qualquer lugar, e a minha moda sou eu quem faço! 🙂 Por isso mesmo, vou me aventurar a criar aqui o Cantinho Cultural, com algumas dicas sobre as coisas que leio e que também fazem parte dos meus dias e do meu mundo.

Eu acabei de ler há poucos dias o livro Madame Bovary e gostaria de compartilhar aqui um pouco do meu entusiasmo. É um livro denso, um pouco monótono até em algumas passagens, mas que me impressionou muito pela crítica a sociedade burguesa do século XIX e me surpreendeu positivamente ao ver como o autor Gustave Flaubert consegue entrar tão fantasticamente na mente feminina e oprimida, que anseia por liberdade, de Emma Bovary.

livro

A ideia não é fazer uma resenha sobre o livro, mas contar o porque ele é inspirador e mexeu comigo.

Em resumo, a história fala sobre os anseios de uma mulher sonhadora que achava que o casamento mudaria sua existência e a levaria ao auge da felicidade, em uma avassaladora paixão, como nos contos de fadas e romances que ela devorava desde os tempos do internato. Mas, ao se casar, ela mergulha numa vida mediocre e entendiante, e vê que seu marido não entende suas necessidades mais genuínas. Na ânsia por viver uma vida cheia de encantamentos, ela se sente cada vez mais presa e desesperada. Diante do desastre que virou sua existência, sobre a qual perdeu as rédeas, ela vê no adultério a chance de resgatar sua liberdade e despertar as emoções reprimidas, e acaba se afundando em dívidas em diversas tentativas de aliviar suas frustrações. Sem saída, acaba se envenenando pra fugir do julgamento do marido e da sociedade.

O livro foi visto como um escândalo, acusado pela afronta à moral e à religião, censurado e o autor processado diversas vezes. Em 1857, quando o livro foi publicado, a satisfação intelectual e carnal era restrita apenas aos homens, por isso, Madame Bovary é condenada por toda sociedade retrógrada em que o romance estava inserido.

Emma só queria uma vida que fizesse sentido, mas vivia mesmo trancada em casa sem desesperança por dias melhores. Ela não tinha a opção de voltar a trás, precisava conviver com o erro de seu casamento até o fim de sua vida. Nesse contexto que Flaubert deixa clara a errônea limitação imposta pela sociedade burguesa, com seus hábitos pouco louváveis e a ostentação de uma falsa moral. Desta forma, o livro acaba mostrando verdades que era escondidas por debaixo dos panos, e intensa opressão da mulher ao longo da história.

Tanto que Emma fica inconformada ao descobrir que deu a luz a uma menina, que teria que passar pelas mesmas angustias e privações que sentia:

MBOVARY

A obra inteira é baseada na subversão, mas acima de tudo, a própria Madame Bovary é subversiva. Se entraga a transbordamento de vida ao se deixar levar por seus desejos, fugir das banalidades do casamento, das imposições culturais e dos substratos religioso. O livro retrata a necessidade dessa liberdade, pois na sede de seguir seus sonhos a qualquer custo, Emma acabou transformando sua vida, e a do marido que tanto a venerava, em um grande desastre.

Hoje parece absurdo a censura ao livro, a prisão em que viviam as mulheres antigamente e o sofrimento da personagem, que é realmente agoniante. Mas na época tudo isso era muito imoral. O que me faz pensar no quanto as coisas mudam e no quanto que as mulheres já conquistaram. E principalmente que nada é estático, nem a moral…

No fim das contas, Madame Bovary acabou por tornar-se uma obra de grande influência para as mulheres na luta pela sua liberdade e conquista por direitos iguais. Meio que sem querer, o livro do ousado Gustave Flaubert deu abertura a emancipação feminina.

Recomendo muito a leitura!

PS1: Falando em feminismo, gostaria de indicar pra vcs a entrevista com a Camille Paglia para a Folha de São Paulo, principal teórica do pós-feminismo, que tem opiniões um tanto controversas ao feminismo atual. Me identifico muito com o pensamento dela, que desaprova a vitimização da mulher e a culpabilidade do homem, que servem apenas para enfraquecer o poder feminino.

PS2: Outros textos meus sobre feminismo:
>> O poder e a escolha
>> Porque a mulher tem um dia para comemorar?

Me considero uma feminista por acreditar no poder e nos direitos da mulher, acredito que toda a mulher é um pouco feminista. Mas tem muitos comportamentos feministas que desaprovo, por isso, ainda estou formando minha opinião sobre o assunto.

Beijos!

Lu

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