Muito além das aparências

Hoje eu quero lançar moda. Hoje e todos os outros dias da minha vida. Quero inventar, sentir, vestir e sair por aí causando, contagiando as pessoas com um pouco de mim. Há quem diga que moda é coisa para pessoas frívolas, que não tem mais o que fazer. Que é pura futilidade. Eu discordo. Porque é por meio da moda que eu me expresso.

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Por mais que alguém jure não gostar de moda, duvido que passe ileso por ela. Muitas vezes sem perceber, somos influenciados pelo mundo a nossa volta, pelos amigos, TV, internet, pelos nossos ídolos. Tudo que está em voga no momento. Tudo o que está em sintonia e mexe conosco. Pode parecer um contrassenso, mas a forma como nos utilizamos da moda nos define socialmente. É uma maneira de exteriorizar nossas preferências e valores culturais dentro daquele tempo e espaço. De se integrar e desintegrar político, social e sociologicamente. O tempo todo somos lidos sem precisar dizer palavra, estamos constantemente nos expressando.

Tribos criam sua moda, padronizam-se, como forma de identidade e inclusão no grupo. Como disse o sociólogo Zygmunt Bauman, ‘ela fornece um modelo para a constante troca de identidades de nosso mundo’. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a moda pode ser uma forma de expressão democrática, reafirmando a individualidade como ser único e pensante uma vez que buscamos a nós mesmos em meio às araras abarrotadas de modismos.

Desculpa-me decepcioná-lo, mas a cada manhã, quando abres o teu armário, estas fazendo moda. A roupa que usamos reflete quem somos, nossa personalidade, humor, estado de espírito. Incorporamos ideias, misturamos elementos criando combinações provavelmente muito diferentes das imaginadas pelo estilista que os criaram e que, juntos, nos tornam do jeitinho que somos. Tu vestes as tuas próprias escolhas. Só que todo o tipo de vestimentas vendidas por aí, da loja de grife à feirinha da esquina, um dia foi pensada na indústria da moda (e quem viu o filme O Diabo Veste Prada sabe). Agora, escolher como usufruir dela é o que vai fazer a diferença.

Não é preciso seguir tendências, mas, querendo ou não, nos valemos delas para encontrar o que realmente nos identifica e faz sentido naquele momento. E isso muda o tempo todo. E nos dá a oportunidade nos renovar e auto afirmar diariamente, além de dar um upgrade na autoestima a cada nova combinação. Porque ter referência e transitar por diversos meios é o segredo para sermos autênticos.

É por isso que eu sou a favor da moda. Ela me encanta como forma de arte, de expressão que vem de dentro para fora, mesmo que inconscientemente. Talvez o grande problema esteja nos que tentam compor um personagem. Quem sabe são esses os verdadeiros escravos da moda. Pra mim, ser livre não é tentar ser o mais simples possível para ‘fugir da moda’, mas sim assumir a minha personalidade independente do julgamento alheio. Moda é evolução e resgate, impulsiona a nossa revolução. Modas vêm e vão, o que fica somos nós mesmos.

Ps: Hoje resolvi propor um momento de reflexão aqui no blog e compartilhar crônica que escrevi pra uma coluna que faço semanalmente pra um jornal daqui de Sant’Ana do Livramento. 

Esse texto teve total inspiração no vídeo Já Pensou, da Cris Guerra.

Já parou pra pensar que você é seu próprio estilista? Que ao acordar você se prepara para um desfile diário, voluntário ou não, e ao se vestir faz suas escolhas? Já parou pra pensar que, assim como o estilista elege cores, formas, texturas, estampas, você seleciona as suas entre o que está disponível por aí? Que, como os estilistas, você também é influenciado pelo mundo que está à sua volta e pelo seu próprio humor, pelas alegrias e tristezas, dias de tédio ou paixão? Que ao fazer uma simples combinação de cores, texturas, estilos, você está mostrando a sua forma de ver a vida? Já parou pra pensar que a moda pode ser futilidade quando dela somos escravos, mas pode ser arte quando a usamos como forma de expressão? Que a escolha de uma roupa para vestir não precisa se pautar por ela ser ou não tendência, mas por combinar ou não com você? Já parou pra pensar em novas combinações para velhas peças? Já parou pra pensar que tem dias que a gente é criativo e, em outros, alguém já foi criativo por nós, e isso facilita? E que nessas horas você veste a sua admiração por um artista? Já parou pra pensar que o seu guarda-roupas é a sua coleção? Que a moda pode ter tanta inspiração quanto um quadro, uma escultura, uma música, um filme? Que a moda pode ser arte andando por aí? Já parou pra pensar que a moda pode ser uma forma de acentuar sua individualidade, e não de uniformizar pessoas? Já parou pra pensar que moda é, acima de tudo, beleza? Um jeito bonito de viver? É fantasia no meio do cotidiano. É transcender a utilidade da roupa e colocar poesia nela. É a oportunidade de ser novo a cada dia e, ao mesmo tempo, ser mais você. Já parou pra pensar que a moda, como a arte, torna a vida mais suportável? Eu já.” CRIS GUERRA

Mais referências, aqui.

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